FERNANDA MAGALHÃES vê a arte como única possibilidade de vida

 

ARTE E VIDA

FERNANDA MAGALHÃES POR FERNANDA

 

O trabalho que desenvolvo como artista engloba diversos projetos, que se inter-relacionam, criando uma rede de ações de arte, políticas de vida. São linhas conectadas, múltiplas, que caminham em diversas direções e se conectam entre si. Uma rede que permite o trabalho. Não linhas simétricas e perpendiculares ou que se dividem, duplicando o mesmo formato anterior, mas sim, linhas descontínuas que se expandem e se interligam nos entremeios. Fragmentos desta teia possibilitam que o trabalho exista, se desdobre, se redobre, se reconecte, sem depender de um ponto principal que o mantenha.

O corpo como linguagem e suporte, ponto nevrálgico que se conecta, tecendo uma rede que se estende e se multiplica indefinidamente. Um corpo-arte que atua possibilitando novos circuitos, provocando novos rizomas em expansão.

Corpos que se encontram, tocam-se e trocam, permitindo outros desdobramentos, afinidades eletivas, novas faces que se apresentam. Este corpo que perde órgãos e ganha marcas, expande-se em outras significações, impostas e assimiladas, provocando novas construções. Um corpo de fronteiras instáveis transmuta-se ao assumir outras formas, um novo corpo, um corpo estranho. A mudança gera novas fronteiras e conexões.

Penso na minha produção como forma de sobrevivência. Afogada nas relações devoradoras do dia a dia e frente à lucidez da vida e da morte, eu penso a arte como única possibilidade de vida. Assim, o trabalho é resultado direto de minha ação como artista, não só em minha produção artística, mas também no cotidiano. Uma ação política de vida.

Meus projetos abordam o corpo e em especial o da mulher gorda. Este interesse surgiu na vivência com o meu corpo a partir de questões muito pessoais. Depois da primeira série de auto-retratos o trabalho se descolou destas questões minhas e passou a tratar de questões sobre as mulheres gordas, as outras mulheres em suas diferenças e suas culturas específicas.

Como são estas mulheres com seus corpos voluptuosos e como se dão estas diversas representações utilizando-se da fotografia? Estes objetivos foram se definindo no desenvolvimento de meu trabalho e abordam questões de gênero, identidades de gênero. Minha pesquisa começou buscando por representações de mulheres gordas nuas em ensaios, revistas, jornais e internet. Como se mostram estas mulheres? Quando elas são fotografadas e para quê? Como são os nus das mulheres gordas? Quando e como são publicadas? Aos poucos as imagens foram sendo recolhidas junto com textos que abordavam a questão e este material reunido, a partir de colagens, fez surgir várias séries.

ALGUMAS SÉRIES DE FERNADA MAGALHÃES a REVISTA OSÍRIS algumas fotos da série FOTOS EM CONSERVA

Auto Retrato no RJ; Auto Retrato no RJ e Carta; Auto Retrato Nus no RJ; Auto Retrato, nus em pxb; A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia; Border; Classificações Científicas da Obesidade; Fotos em Conserva; de viés; Impressões da Memória; A Expressão Fotográfica e os Cegos; Fotografias Manipuladas; Álbum Cicatrizes; Álbum Desenhos Anotações; Caderno O Corpo; Caderno Corpo Re-Construção; Álbum Cicatriz; 4 Cadernos; 2 Cadernos Rosa de Desenho; Caderno Branco 7X8; Cinco Cadernos de Desenho; Caderno Verde União; Agenda vermelha 2007; Caderno Rubens; A Corpo; Projeto SOS; Embalagens de Chicletes; Uma ação em Virgínia Woolf; Os anéis; Caixinha As Mulheres tendo encontrado suas vozes tem algo a dizer; Corpo Re-Construção Ação Ritual Performance.

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